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  • Voz de Portugal

Covid-19: Figueira da Foz cria linha com EDP para ajudar comerciantes com contas a pagar


05 abr 2021 (Lusa) – O presidente da Câmara da Figueira da Foz comprometeu-se hoje a criar junto da EDP, com o apoio da Associação Comercial e Industrial (ACIFF), uma linha telefónica direta para apoiar os empresários com faturas por pagar.

A questão de proprietários de estabelecimentos que continuam a receber leituras de consumo estimado da EDP, tendo as suas lojas encerradas devido às medidas de confinamento face à pandemia de covid-19, foi hoje suscitada na reunião camarária por Carlos Tenreiro, vereador eleito pelo PSD, mas a quem aquele partido retirou a confiança política.

Na resposta, para além da questão do consumo estimado, o presidente Carlos Monteiro (PS), disse que o que pode estar em causa “é quem opta por pagar uma mensalidade fixa e no fim do ano fazem o acerto”.

“Quem não opta por isso, faz as suas leituras e a fatura vem de acordo com a leitura que se envia. Este é o contexto, mas nós vamos falar com o senhor presidente da ACIFF e com a EDP e vamos fazer algo que fizemos quando aconteceu o [furacão] Leslie, foi uma linha direta da EDP para estes assuntos”, anunciou.

“E vamos divulgar esse número a todos os comerciantes, a todas as empresas, para poderem ter essa ligação direta. Porque se tiverem para as linhas normais é um sufoco, um tempo imenso”, sublinhou o autarca.

Também em resposta a Carlos Tenreiro, Carlos Moiteiro reiterou a intenção da autarquia de que as esplanadas abertas sejam isentas de taxas.

“É evidente que terão de ser licenciadas, são coisas diferentes”, avisou.

“Já percebemos que até em termos higienossanitários é importante mas, fundamentalmente, a experiência que já tivemos o ano passado é que deram outra vitalidade e outra alegria à cidade. Vamos fomentar, estimular, enquanto este executivo estiver em funções as esplanadas abertas não serão pagas”, continuou Carlos Monteiro.

Durante a reunião de hoje, que se prolongou por cerca de cinco horas, Carlos Monteiro fez ainda o ponto de situação das obras numa conduta junto ao mercado municipal que mantém parte da rua adjacente vedada ao trânsito.

“Essa obra está a decorrer ao maior ritmo, só não corre mais depressa porque está condicionada à maré. Quando a maré sobe a empresa não pode trabalhar”, explicou o autarca.

Lembrou que a conduta em causa leva a água do ribeiro das Abadias [o parque verde que atravessa a cidade de norte para sul e cujo ribeiro desagua no rio, encanado na sua parte final] por debaixo da zona do Jardim Municipal até ao Mondego, em frente ao mercado.

“E aquilo anda a ceder há anos, nós preocupados com situações recorrentes analisámos por dentro a conduta e a conduta estava em risco de ceder, de engolir dois, três, quatro carros. A situação era esta. A empresa tem feito um trabalho excecional, teve dois problemas, que ninguém consegue controlar, um foram as chuvas intensas e o outro é a maré”, adiantou.

“Vai ficar concluída a muito curto prazo e marca muito aquela zona. Foi obra que era emergente fazer”, frisou Carlos Monteiro.

Outra obra naquela zona é a do próprio Jardim Municipal e área envolvente: “Hoje quem passa na envolvente já percebe que a rua da Cadeia vai ter um aspeto diferente, a rua Calouste Gulbenkian vai ter passeios onde as pessoas podem circular sem estarem a cair nas raízes dos plátanos e há um compromisso da empresa da zona de circulação estar resolvida até junho”, disse Carlos Monteiro.

Já o interior do Jardim Municipal, cuja requalificação tem sido alvo de várias críticas, nomeadamente nas redes sociais, o autarca frisou que a intervenção “vai demorar, porque as plantações são coisas complexas para serem bem feitas”, explicando que está a ser retirada terra e a ser colocada terra “boa” para as novas plantas.

“Às vezes é preciso saber-se a história das coisas para as compreender. Aquele jardim não é feito na Várzea, onde existem metros e metros e metros de terra fértil, aquela era uma praia, era a praia da Fonte. Ali foram colocadas terras férteis em cima de areia, é um solo pobre. Durante anos, a vegetação a retirar nutrientes tornou aquele solo exaurido, com todas as consequências e as fezes das pombas a acidificá-lo, ainda pior”.

“Ou havia ali uma transformação rápida ou amanhã não existia, é um pouco como cultivar no deserto”, argumentou Carlos Monteiro.

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